sábado, 2 de agosto de 2008

A angústia por não poder querer...

Acho que essa frase descreve bem o que sinto em alguns momentos, depois que me tornei mãe. As vezes parece que desejar fazer algo além do que faço é um luxo, ao qual não tenho direito.
É comum também o sentimento de que as outras pessoas podem seguir com a vida delas, mas eu não. Quano esses 2 sentimentos se encontram, haja discernimento para saber o que é verdade e o que não é. Tenho que esperar a tempestade passar para verificar que posso fazer mais, só que agora a prioridade é o Pequeno Cisne e faço, de forma diferente do que fazia, tudo o que é essencial para mim.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Para os piores momentos...

Naqueles dias em que eu esteja me sentindo um lixo, o último ser humano na face da Terra, insignificante perante os gigantescos desafios que a vida nos coloca,que eu olhe nos olhos do meu filho e veja que eu posso,nós podemos! As dificuldades sempre vão existir, mas a nossa capacidade de superá-las também. Nós podemos transformar os nossos pesadelos em sonhos,os sonhos em realidade. A minha estória com a Cisne Bela (não)é um conto de fadas, assim como o Pequeno Cisne (não)é um Príncipe.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Solitude e Solidão

As vezes, quando a minha mente está frágil e o coração aflito, experimento a difícil sensação de solidão. Me sinto pequena e frágil diante da gigante tarefa de educar o Pequeno Cisne e não ter no horizonte nenhuma referência para nos guiar.

As vezes, quando a minha mente está lúcida e o meu coração tranquilo, sinto a alegria da solitude, o sentimento de que enquanto indivíduos somos únicos.

Cabe a nós mesmos a árdua e gratificante tarefa de construir as nossas próprias referências, buscando valores internos e não a partir de modelos exteriores, sociais e externos, distantes e diferentes da nossa natureza mais íntima.

As duas experiências são como os dois lados da mesma moeda. Sem experimentar um, não há como vivenciar o outro.

domingo, 29 de junho de 2008

Pré-conceitos.

Esta foi uma resposta que respondemos à psicóloga da Vara da Infância e da Juventude, na entrevista para o processo de legalização do vínculo da Cisne Bela com o Pequeno Cisne.
Muitas pessoas, amigos e familiares, que hoje fazem parte do nosso convívio, originalmente tinham uma outra idéia a respeito de um relacionamento homosexual. Ao se aproximarem e conhecerem melhor a nossa realidade, descobriram o que já conheciam. Nosso relacionamento sempre foi baseado em amor, respeito, carinho, honestidade, companheirismo... enfim dos valores que mantêm e sustentam um relacionamento a longo prazo.
É isso que temos para passar para o pequetito. É neste ambiente que queremos que ele cresça. E destes valores eu não tenho a menor vergonha.

sábado, 14 de junho de 2008

Interfaces

O que é uma família tradicional? Qual a função / papel dos pais na educação e formação dos filhos? Temos nos deparado com essas questões. As respostas não são simples. Exigem maturidade e boa vontade, mas existem.
No caso da família Cisne, imagino que tanto a Cisne Bela quanto eu, na relação com o Pequeno Cisne, servimos como interfaces para os mundos. Mundos sim, porque acredito que a nossa realidade cotidiana é povoada de várias dimensões que se sobrepõe.
Cada indivíduo, em suas particularidades, tem maior ou menor aptidão para uma ou outra dimensão do cotidiano.
Eu por exemplo, tenho mais facilidade para lidar com o mundo interno, introspectivo e abstrato do que com o mundo externo, prático, concreto e objetivo. Mas esses mundos nescessitam um do outro para viver.
Não dá para pagar as contas ao final do mês se a gente vive apenas no mundo interno. Mas também a vida acaba perdendo o sentido se vivemos apenas na realidade objetiva.
Crescer lidando com essas várias interfaces acaba sento uma experiência rica, imagino. Não importa quem vai oferecer o quê. Importa que essas dimensões sejam apresentadas aos nossos pequenos.

sábado, 7 de junho de 2008

Até parece...

Neste mês de maio, depois do dia das mães, comecei a elaborar na minha mente questões relativas ao aspecto social da maternidade e da minha vida em geral. Na análise levei essas questões para discutir. Como é que me apresento socialmente? Não sou uma mãe tradicional, mas sou uma boa mãe. Esta é a conclusão que cheguei. Até parece que o pessoal da Vara da Infância e da Juventude estava esperando que eu chegasse a esta conclusão para me sentir mais segura e dar mais um passo muito importante para a Família Cisne: o reconhecimeno legal do vínculo da Cisne Bela com o Pequeno Cisne. Nós entramos com este pedido na Justiça e quase um ano depois, esta semana, fizemos uma entrevista com a Psicóloga Social. Que ansiedade! Na véspera quem consegue dormir? Enquanto a Cisne Bela não chegou da sua longa jornada de trabalho, nem eu nem o pequetito conseguíamos dormir... Mas ele não chorou, nem gritou, nem ficou irritado. Ficamos deitados os dois, quietinhos no escuro, esperando a Cisne Bela. Em alguns momentos ele brincava com meus cabelos, como se fizesse cafuné...Até parece que ele sabia como eu estava me sentindo por dentro...

sábado, 31 de maio de 2008

O Lago dos Cisnes

A família cisne gosta de nadar. Quando o Pequeno Cisne completou 1 ano, o matriculamos no curso de natação para bebês, na mesma escola de natação que a Cisne Bela frequenta. Foi o nosso primeiro teste de comportamento social junto a outras famílias, já que as crianças nadam acompanhadas dos pais. A Cisne Bela começou a acompanhar o pequetito nas aulas e o apresentou como seu filho. Mas depois de assumir um compromisso de trabalho, eu passei a acompanhar o pequetito nas aulas. Como ele ainda não falava, nós também não achamos que fosse nescessário maiores explicações sobre a família Cisne. Mas o tempo foi passando..., o Pequeno Cisne foi crescendo... e um dia chegou a nova professora. Achei então que esta seria a oportunidade para "sair do armário". E para minha surpresa foi mais fácil do que pensava...Falei com muita naturalidade que éramos uma família diferente.E a nova professora, com uma naturalidade que parecia aparente, conversou comigo sobre maternidade e essas coisas que as mães conversam. No final de contas acho que todos, família Cisne e professora de natação, passaram no teste!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Tal mãe... mas não tal filha.

Sou uma mãe bem diferente da minha mãe. Como todo ser humano, ela tem qualidades e defeitos. Sobrevivi aos seus defeitos e as suas qualidades foram boas para minha educação.
Mas a grande diferença está nas opções de cada uma. Me casei por amor e não para cumprir um papel social. Tive um filho porque ele seria o fruto de nosso amor, meu e da Cisne Bela, e não algo que acontece nas nossas vidas e que a gente simplesmente tem que aceitar.
O Pequeno Cisne é o resultado das minhas escolhas e não das escolhas dela. Ele não tem a educação que ela me deu. Ele tem a educação que eu dou para ele. É por isso que ele tem uma saúde, uma alegria e um desenvolvimento neuromotor que meus irmãos e eu nunca tivemos. Sem comparação...

domingo, 4 de maio de 2008

Já?!!!

Outro dia tocaram a campanhia da minha casa. Era a vizinha, um menina de 7 anos chamando o Pequeno Cisne para brincar na rua. Tudo bem que um dia isso iria acontecer, mas eu não esperava que fosse tão cedo. Ele só tem 1 ano e 5 meses!!!
Nós já tínhamos observado que o interesse dele pelo mundo vinha aumentando em um ritmo razoavelmente rápido. Primeiro aquele bonequinho que quase não se mexia se contentava com a "play station", um tapetinho de EVA que colocávamos no chão, juntamente com alguns brinquedinhos, para estimular o desenvolvimento dele. Depois, as fronteiras foram sendo ultrapassadas,uma a uma: "play station", quarto, casa, quintal... Até que finalmente levei-o para passear a pé, dar uma volta para conhecer os pontos turísticos do quarteirão. Com isso o vocabulário do pequetito foi aumentando : CAINA (caminhão), OI (ônibus), MOMO (moto). E principalmete, ele se enturmou com as crianças da rua. Ele consegue interagir com elas, que em geral são mais velhas do que ele. Agora o que mais me chamou atenção foi a recíproca, a interação das crianças com ele. Será apesar de, ou devido a falta de vocabulário? Ainda não tenho essa resposta ...

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Desmame

O desmame do Pequeno Cisne começou quando começamos a oferecer suquinho de laranja lima, já que estávamos substituindo uma mamada por outro tipo de alimento. Acho que toda mãe fica insegura nesta transição. Será que ele vai gostar do que estamos apresentando para ele? Será que ele vai ficar bem alimentado? Forte? Saudável? Ainda lembro da escolha das frutas e legumes, das primeiras sopinhas e papinhas que fizemos para ele. A receita era simples: muito amor e carinho, um pouco de proteína aninal, carboidrato dos legumes variados e um pouco de fibra das verduras. Na hora de oferecer a refeição eu levava o cadeirão do pequetito para o quintal, como se ele fosse fazer um piquenique ao ar livre.
O desmame completo levou quase um ano. O Pequeno Cisne já estava com a boca cheia de dentes, andava e adorava comer alimentos novos e os que ele já conhecia também... A única vez em que era amamentado era a noite, antes de dormir.
Certa vez, ele demonstrou alguma inquietação durante a amamentação. Eu estranhei, mas percebi que ele estava satisfeito. Então ofereci a chupeta, ele apoiou sua cabecinha em meus braços e dormiu. Comentei com a minha psicanalista sobre esse episódio e ela me alertou: "Pode ser que ele esteja dando indicações de que não quer mais ser amamentado. Faça um teste. Caso você perceba os mesmos sinais, pode parar de amamentá-lo." E foi o que eu fiz na noite seguinte.
Desta vez ele mamou com muito gosto. Tanto que eu até pensei que havia me enganado. Porém, de repente, ele parou e ficou me olhando. Eu então percebi que ele gostava muito do meu leitinho, mas estava satisfeito. Era hora de parar. Ofereci a chupeta e ele dormiu como um anjinho que é. Esta foi a última vez que ofereci o peito ao pequetito. E ele, com muita classe e elegância, soube expressar o que queria, sem me fazer sentir rejeitada ou trocada por uma mamadeira. Ele é realmente um Príncipe.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Compartilhar a Maternidade

É fácil é colocar o bebê no colo e dar o leite do seu peito. Difícil é a depêndencia deste pequeno ser em relação a mãe. As tarefas mais simples e cotidianas da sua vida, como cortar unhas ou escovar os dentes, passam a ser desafios no meio dos ciclos intermináveis de cuidados com o bebê. Acho que esse aspecto da amamentação devia ser mais abordado nas campanhas publicitárias para preparar as mães e pais um pouco mais em relação ao que eles terão de enfrentar.
Eu me sinto estremamente reconhecida por todas as vezes que a Cisne Bela fez questão de acordar, pegar o Pequeno Cisne recém-nascido no colo, levar até mim, para que eu pudesse amamentá-lo, depois trocá-lo para que ele pudesse dormir tranquilamente. Foi ela quem insistiu para que eu continuasse a amamentá-lo, quando eu me sentia exausta e sem ânimo, e se propôs a dar a primeira mamadeira da madrugada, com o leite do meu peito, para que eu pudesse dormir mais algumas horas e o pequetito não fosse prejudicado. Sim, ela sempre esteve presente.
Quem ganhou com isso? A Família Cisne. Hoje nosso pequetito é forte e saudável. Eu? Eu tenho tranquilidade para retomar, aos poucos, meu trabalho. Saber que pude cuidar bem dele durante a gravidez, parto e principalmente nesse primeiro ano de vida foi fundamental para minha auto estima e auto confiança. Sinto o reflexo dessas mudanças em muitos aspectos da minha vida, principalmente no trabalho. A Cisne Bela? Ela tem o seu lugar muito bem guardado tanto no coraçãozinho do Pequeno Cisne quanto no meu.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Esperanças e Separações

Hoje recebemos uma boa notícia. Cisne Bela vai poder incluir a mim e ao Pequeno Cisne como dependentes no seu plano de saúde! O que isto significa? Reais a menos no orçamento doméstico? Não apenas. Isto significa uma conquista que não tem preço: Empresas reconheceram a nossa união estável e mais do que isto, o Pequeno Cisne como fruto desta união.

Ficamos muito felizes, principalmente depois de uma noite tão mal dormida. O pequetito está assimilando que é um indivíduo separado da mãe. Teve uma crise de insônia e no meio da madrugada entregou a sua chupeta. Agora o seu universo não se restringe mais ao nosso lago. Ele está muito interessado em outros filhotes e quer brincar, conhecer o mundo, ganhar asas ou melhor, usar as asas que ele sempre teve. Mas a insegurança chega e ele fica dividido. O que fazem as mães numa hora dessas? Rezei e pedi inspiração, que veio nas seguintes palavras: O que Deus une a vida do homem não separa. O Pequeno Cisne vai ficar para sempre na vida das mães, com todas as mudanças positivas que ele trouxe para cada uma delas. E todo o carinho que dedicamos a ele, mesmo antes da sua existência também vai ficar registrado na sua estória, na sua personalidade.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Maternidade: sonho e realidade, escolhas e sacrifício.

Há 2 anos,Cisne Bela e eu, demos um passo muito importante na realização de nosso sonho de ser mães: a inseminação do Pequeno Cisne. É realmente uma sensação muito diferente a de ir a um consultório médico sabendo que você pode voltar de lá grávida. Até sair o resultado do exame se passaram 2 semanas quase intermináveis. Finalmente um telefonema e o resultado: POSITIVO! Sonho ou realidade?
Até hoje sentimos a realidade batendo nas nossas portas. A realidade das mudanças que vem junto com o pacote maternidade. Aprendi a fazer escolhas e o sentido da palavra sacrificio. Para mim ela não tem um significado negativo, o que não significa que seja fácil lidar com esse significado, e está associado a nossa capacidade de discernimento, de optar por uma coisa em razão de outra. Decidi sacrificar temporariamente a minha carreira profissional, assim como o tempo que dedicava a mim mesmo em prol de outra coisa: a Família Cisne. Como posso ficar bem se a família Cisne não estiver bem também?
Sim, conseguimos transormar o nosso sonho em realidade, mas ainda estamos aprendendo a lidar com a realidade do nosso sonho.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Neuróticos e Pecadores num Mundo de Expiação e Provas

Certa feita, durante uma sessão de psicanálise, entendi que, segundo Freud, somos todos neuróticos ou psicóticos. Nossa realidade é muito cruel e por isso precisamos criar algumas defesas para conseguir encará-la. Na minha cabeça, pude então entender significa o que disse Cristo: "Quem não tem pecados que atire a primeira pedra!". Achei ainda mais importante acreditar em Deus, seja como uma defesa divina para conseguir encarar a realidade humana ou como realidade divina para conseguir encarar as defesas humanas.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Tempo Rei

Transcorrei ó Tempo Rei... Transformai as velhas formas do viver... Ensinai ó Pai o que eu ainda não sei...São realmente lindas estas palavras do Gilberto Gil. E particularmente hoje elas têm um significado todo especial:

10 anos de convivência ao lado da Cisne Bela transcorreram. Uma década, um filho e um contrato de união estável...

As nossas velhas formas de viver foram completamente transformadas. O tempo tem um significado diferente. Procuro encará-lo como uma questão de prioridades. Desde que o Pequeno Cisne nasceu, aprendi a deixar algumas coisas de lado. A pensar antes no porque e para que fazê-las, já que aquelas que não tinham tanta importância assim, nesse novo contexto familiar, tive de abandonar, assim como a criança abandona os brinquedos quando a adolescência chega...

Ensinai ó Pai a não deixar que o cotidiano atropele a beleza desse encontro,que já rendeu muitos frutos e que hoje completa mais um ciclo...

quinta-feira, 6 de março de 2008

O essencial é invisível para os olhos.

Conhece essa frase de algum lugar? Pois é decoramos o quarto do Pequeno Cisne com os motivos da estória do menino-príncipe contada por Antoine de Saint-Exupery.

Nossa casa é pequena e simples, mas nunca faltou amor. Poderíamos morar em um lugar maior e mais bonito? Sim, poderíamos. Mas não teríamos os cachorros, o gato, os avós, que estão perto e ajudaram muito.

Maternidade não é coisa simples, acho que nunca estamos preparados para ela. Apesar do relacionamento estável, dos anos de psicanálise, da experiência dos meus 36 anos, da gravidez e parto tranquilos, quando o nenê chega em casa, a pergunta é a mesma. E agora, o que é que eu faço com esse ser tão pequeno e que depende tanto de mim?

Os cuidados como recén-nascido são exaustivos e precisamos de muita ajuda da companheira/o. A tarefa não é fácil e frequentemente a gente se vê com a pergunta "Será que eu vou dar conta?" formulada na nossa cabeça. Nosso humor muda muito e não conseguimos entender o porquê. Como é que algo que nos traz tanta felicidade, sentimento de família, de continuidade da nossa existência, pode também nos trazer sentimentos tão complexos como perda da individualidade, mudança no relacionamento com a companheira/o e uma série de pensamentos desconhecidos e angustiosos que passam pela nossa cabeça?

As respostas vêm com o tempo. Com as longas horas que dedicamos ao pequenino. Horas que podemos aproveitar para refletir e analisar a nós mesmos ou não. As vezes não temos condições psicológicas ou financeiras para tanta dedicação. A vida cotidiana exige muito das pessoas.

No meu caso foram longas horas e muita reflexão que me ajudaram a cuidar do bebê. Quando me dei conta, algum tempo já havia passado e percebi que o Pequeno Cisne estava bem fisicamente e emocionalmente.

Sim, eu consegui atender as nescessidades do pequetito. E isso fez toda a diferença, para ele e para mim. Ele cresce na mesma medida da minha auto-estima.

Mas aqui gostaria de fazer um parentese. No caso da maternidade por um casal homossexual, apesar do mesmo sexo, as funçoes familiares são diferentes, de acordo com a natureza, com o perfil de cada uma. Uma delas pode ter mais facilidade para sustentar uma família enquanto a outra pode ter mesma facilidade para ficar cuidando do bebê. Isso não significa que temos que escolher, que estas funções são excludentes uma da outra e mesmo que estas funções sejam de fácil execução, ou que uma seja mais importante que a outra. Isto seria uma forma de "machismo" com outra roupagem. O que gostaria de dizer é que ambas podem trabalhar e cuidar do bebê, mas que, de acordo com o perfil de cada uma, ela executa esta ou aquela tarefa de forma mais suave, eu até diria de forma menos árdua.

Ainda não temos todas as respostas. Como é que vai ser quando o Pequeno Cisne descobrir que a maioria das famílias são diferentes da nossa, são famílias de patos? Acredito que todo esse empenho que nós tivemos, a Mamãe Cisne e a CisneBela, desde a concepção até o desmame do pequetito, aliás auto-desmame, com 1 ano e 3 meses, constituam uma base emocional sólida para que possamos juntos, a família cisne, encontrar respostas.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Como O Pequeno Cisne Nasceu

Em agosto de 2005, quando completei 35 anos, resolvi engravidar. Já vivia uma relação estável há 7 anos e o relógio biológico começou a dar sinais. Nunca antes tinha tido cólicas menstruais. Mas de repente vi que precisava consultar um profissional da área porque estava me sentindo incomodada durante os períodos da menstruação. Aproveitei a consulta ginecológica para conversar com a médica sobre as possibilidades de filhos para um casal homossexual. Fisicamente estava bem. Emocionalmente também. Nunca tive problemas com a parte reprodutiva e ginecológica do meu corpo. Então, de repente pensei: E se eu engravidar? A CisneBela (minha companheira)vai adorar me ver de "barrigão".

Fomos procurar uma especialista em reprodução assistida, uma médica que além de muito competente e compreensiva, acolheu prontamente a idéia da maternidade por um casal do mesmo sexo.

Comecei a tomar vitaminas para fortalecer o organismo e escolhemos o doador anônimo de um Banco de Sêmen. Este Banco de Sêmen é de confiança e pertence a um hospital de muito boa reputação em São Paulo. Funciona como um Banco de Sangue. Familiares de pessoas em tratamento, no caso a infertilidade, se oferecem como doadores, depois de passar por exames clínicos que atestem a qualidade do esperma e a boa saude do doador.

A primeira inseminação artificial foi em janeiro de 2006, mas só engravidei em março, após a segunda tentativa. Tive uma gravidez muito tranquila e só engordei 9 quilos. Quando foi nescessário fazer repouso, fiz e quando fui liberada para fazer atividades físicas, fiz. Levava o Pequeno Cisne para nadar. Ele na minha barriga, eu e a CisneBela na Piscina.

Enfim dezembro chegou e com ele o Pequeno Cisne. Logo no primeiro minuto do dia primeiro do último mês de 2006, a minha bolsa se rompeu. Fomos para a Maternidade. Já estava em trabalho de parto e com 7 cm de dilatação. Para minha surpresa, pois imaginava que toda mulher tem medo do momento do parto, estava muito calma. Consegui passar pelo parto como um momento de plenitude consciente.

Fiz cesária e tomei anestesia. Fiz também bastante esforço para ficar acordada e acompanhar o que estava acontecendo. Na hora em que ele nasceu, tocava no rádio a música "Don't worry, be happy!" Que resume bem o humor dele. Ele é um bebê feliz. Doce, que foi a primeira impressão que tive ao ver a carinha dele e feliz, como descobrimos mais tarde através dos seus sorrisos e gargalhadas!.

A história da Mamãe Cisne

Bom, acredito que vocês devem conhecer a estória do Patinho Feio. Pois é, aquele que quando criança, se achava feio e desengonçado, mas que quando cresceu e amadureceu, descobriu que era apenas diferente, um cisne.

Um cisne fêmea que se tornou mãe, uma mãe diferente, mãe homossexual. Decidi criar esse blog, não porque goste de escrever ou ache que escreva bem, mas porque senti a nescessidade de compartilhar essa experiência com todos aqules que se identifiquem com a experiencia universal de ser mãe ou com a experiência homossexual ou com ambas, mães homossexuais.